domingo, 1 de março de 2009

A viagem do elefante

Há poucos dias terminei a leitura da mais recente obra do nobre escritor José Saramago A viagem do elefante, que por muitos foi elogiada e enaltecida.
Todavia, posso afirmar que fiquei um tanto ou quanto desapontada pois, apesar de ter lido facilmente o livro, a narrativa não me cativou e não me fez querer ler mais e mais até descobrir o desenlace da história.
Sempre me acostumei a deliciar com os romances do nosso querido prémio Nobel. A sua escrita irreverente e vanguardista, salpicada de ironias e de subtis críticas sempre me fascinou, bem como o facto de Saramago abordar complexas temáticas de uma forma original.
Espero que as minhas palavras não sejam mal interpretadas, pois tenho uma grande admiração por José Saramago e considero-o um dos melhores escritores portugueses, simplesmente, creio que a sua última obra deixa um “gostinho” a pouco naqueles que, tal como eu, leram livros do escritor que os prenderam até ao último minuto.
A estória de A viagem do elefante pode ser resumida em poucas palavras. No século XVI o rei de Portugal, D. João III, oferece um elefante a seu primo arquiduque Maximiliano de Áustria. Este imponente animal, acompanhado pelo cornaca (único indivíduo que realmente o compreende), terá de se deslocar de Lisboa a Viena em condições adversas.
Ao longo do percurso, a população que contacta com Salomão, nome atribuído ao elefante, apresenta reacções antagónicas. Tanto é invadida por um tremendo fascínio e admiração como é assolada por um sentimento de puro terror.
O leitor apenas tem a possibilidade de acompanhar a viagem do elefante e do seu inseparável tratador até Áustria. Claro está que, ao longo da narrativa somos brindados, não só por suaves críticas que nos possibilitam compreender a prepotência e até mesmo as “limitações” daqueles que reinavam na época, mas também pelos tão característicos provérbios que a escrita de Saramago já nos acostumou.
A mim o livro não me tocou como algumas das suas obras já o fizeram, no entanto, note-se que este foi redigido num momento em que o autor se encontrava bastante debilitado e o esforço que fez, por si só, é de louvar.

Um bem-haja a esse grande senhor!

Andreia

2 comentários:

*Melancia* disse...

Hummm Andreia, muito boas leituras!
Como já sabes, eu sou grandeee apreciadora de Saramago e das suas obras. Ainda nao tive oportunidade de ler este livro, mas com certeza vou lê-lo.
É pena que nao te tenhas sentido cativada... Mas talvez seja porque este senhor faz obras tao maravilhosas, que uma que seja 'banal', acaba por desiludir-nos!
Bem, quando ler, tratarei de comentar contigo xD
Beijinhos
Rita

Anónimo disse...

Eu ando a ler muito vagarosamente esse livro por falta de tempo e de paciência, por isso serei muito suspeita nas minhas opiniões! Mas tenho uma sensação idêntica à tua, este livro não tem a dinâmica de todos os outros que li (como as Intermitências da Morte), descrevendo vagarosamente um longo percurso, muito linear (pelo menos até onde li), literalmente a passo de elefante.
Eu não gosto nada de obras descritivas, talvez só por isso o livro não me esteja a cativar. Mas a verdade é que nem a habitual agulha crítica saramaguina parece tão aguçada. E eu até estava com muita expectativa para este livro, já que pega num acontecimento histórico peculiar.
Enfim, pode ser que daqui a uns tempos me dê para fazer um comentário mais positivo, vamos lá ver!
Beijinho