Por vezes alguns tentam saber quem são, somos a invenção dos outros, porque a nossa auto-consciência provém do meio em que estamos inseridos, alguns indivíduos no auge do seu auto-ego enaltecem os seus atributos, ignorando que os seus atributos são as qualidades que lhe são reconhecidas. A nossa existência é a existência do outro, mesmo quando optamos por uma visão individualista, que pressupõe o isolamento do meio em que estamos inseridos ou uma ruptura com o modelo comunitarista de uma determinada sociedade, por isso todo o tipo de isolamento é uma fuga do outro e consequentemente uma fuga de nós próprios. Nos medos sombrios das nossas almas agarramo-nos ao mais certo das incertezas para encontrarmos uma razão da nossa existência, de modo a recebermos o prémio, ao lado dos outros por toda a eternidade, preferindo as nossas pessoas, antes de alcançar uma sentença final é necessário agir para com os outros, tanto nas boas acções, como nas más acções. Quando o nosso prazo de validade se esgota é o fim, talvez seja a última oportunidade de estar connosco, apesar de ser a hora a marcar o nosso momento final. Algumas figuras tribais levam os outros a um retiro, onde só se vai, sem uma volta determinada, procurando a constante presença do outro, mesmo sem a certeza de uma partilha viva destas vidas, vale sempre uma companhia mesmo sem vida, mostrando o medo de acabar só, quando a vida se vai e a certeza padece, sem saber onde vamos e para onde vamos e se vamos mesmo para alguns lados. Isto é a demonstração de eterna insignificância do homem face às leis da natureza, mas a nossa permanente procura de permanecer pendurados nos outros, tornando-nos singulares na espécie que habita o planeta terra, este elo que nos obriga a viver amarrados uns aos outros, provoca o velho dilema de sociabilidade dos problemas, nenhum problema é de uma só pessoa, porque os efeitos são sempre colaterais.
Sérgio
Televisão ao domingo à noite...
Há 14 anos

1 comentário:
Sérgio gostei muito do teu texto.. Realmente é cada vez mais visível q tens talento, com os temas que 'te lembras' para escrever! Continua assim :)
Beijos
Rita
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